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No Habitat de uma Introvertida

Aqui partilho com o mundo tudo o que me inspira e faz parte da minha vida criativa. E se és introvertido/a é provável que aqui te sintas em casa. "I have no special talents. I am only passionately curious." - Albert Einstein

No Habitat de uma Introvertida

Aqui partilho com o mundo tudo o que me inspira e faz parte da minha vida criativa. E se és introvertido/a é provável que aqui te sintas em casa. "I have no special talents. I am only passionately curious." - Albert Einstein

Seg | 23.07.18

Luz e Sombra

Sandra Sequeira

luz.jpg

 

No meu último post, fiz referência ao facto de todos nós sermos Luz e Sombra.

 

Uma querida visitante, regular deste Habitat, comentou que essa frase a tinha marcado especialmente...

 

Então, porque não falar nisso?!...

 

Desde crianças, o nosso sistema de crenças incita-nos e "esfregar" as nossas qualidades, os nossos sucessos e a nossa bondade na cara do outro e a esconder os nossos "defeitos", as nossas fragilidades e as nossas falhas. 

 

Com isso, nós vamos "amputando" certas partes nossas, ao longo da vida, para que a Sociedade se sinta confortável na nossa presença.

 

E é um bocadinho ambivalente, quando ouvimos tanto: Sê tu próprio/a! Diz o que pensas! Faz o que gostas... Mas quando ganhamos coragem para o fazer, levamos uns "açoites" porque estamos a "passar do risco".

 

Então, em que é que ficamos?

 

Sê tu próprio/a... mas nem tanto?...

 

Vôa... Mas vôa baixinho?...

 

O feedback relativo ao post da semana passada foi para mim absolutamente surpreendente!

 

Foi o post do Habitat com mais visitas, com mais partilhas, com mais reações públicas e privadas... digamos que 95% positivas, carinhosas e muito incentivadoras para que o Habitat continuasse vivo...

 

Mas também me valeu duas ou três repreensões (de modo que perdoem lá hoje o assunto parecer um bocadinho boring, mas prometi a mim mesma tentar não arrepiar ninguém desta vez)...

 

Será a morte um "elefante branco na sala"?... Será que se não falarmos nela, ela não acontece?...

 

Porque será a morte um tema tabu para a maioria dos humanos e, no entanto, enquanto humanos, estamos tão confortáveis a julgar/criticar (e às vezes mesmo denegrir) o outro?

 

Não percebemos que quando apontamos o nosso foco para a Sombra do outro, estamos a revelar a nossa própria Sombra?

 

Nós somos Luz e Sombra. E somos inteiros apenas se aceitarmos essas duas energias que temos dentro de nós e nos permitirmos sentir tudo o que essas duas energias implicam.

 

Eu tenho-me permitido expôr sombras pessoais neste Habitat ao revelar sentimentos e comportamentos de que pouco se ouve falar porque, pelo nosso sistema de crenças, não são os mais "aceitáveis"... Mas pelas partilhas que me vão fazendo (públicas e privadas) eu vou percebendo que são tão comuns... 

 

Será assim tão "provocador" sermos nós próprios?!?...

 

Será que, pelo conforto da nossa família, pela aceitação dos nossos amigos, temos que ser "menos" de nós... temos que baixar o nosso volume... temos de diminuir a nossa Luz?...

 

Não deveria a aceitação começar no nosso círculo mais próximo?...

 

Quantos de vocês têm sonhos "arrumados na caixa", pelo "bem" da família, pela vergonha dos amigos, pelo julgamento da Sociedade?...

 

Vocês têm noção do milagre que é terem nascido?...

 

Será que esse evento fantástico deu-se com o propósito de serem "menos" de vocês para que o outro não se sinta "incomodado"?...

 

Será que nascemos para tal mediocridade?...

 

Eu acredito que a nossa Luz incomoda quem não aceita a sua própria Sombra. Quem não se aceita por inteiro, não poderá nunca aceitar o outro, nem pode esperar que o outro o aceite também.

 

Este jogo de Luz e Sombra é tão complexo... 

 

Mas podemos simplificar começando a concentrar-nos em "cuidar" da nossa própria dualidade. 

 

Quando nos sentimos incomodados com algo, queremos logo atribuir responsabilidades ao outro... Mas a questão que devíamos colocar é: Porque é que eu me senti incomodado/a? Que brecha existe em mim que precisa da minha atenção?

 

Que Sombra em mim se sentiu exposta pela Luz do outro?...

 

Isto é auto responsabilização. Não acredito nos quadros de felicidade que "pintam", por aí, sem ela. 

 

Somos humanos. Sentimos alegria, tristeza, compaixão, raiva, empatia, revolta, amor, medo...

 

E o que é positivo, não temos problema em mostrar, mas o que é negativo em nós, escondemos e apontamos no outro.

 

Quando nos focamos no outro, vamos deixando o nosso trabalho por fazer... e não conseguimos melhorar o outro e nem nos melhoramos a nós.

 

Mais amor, por favor... especialmente por nós próprios!

 

Todas as nossas acções e reações provêem apenas de dois lugares (sempre esta dualidade...) Amor ou Medo.

 

Antes de agires ou reagires, avalia primeiro a tua intenção por trás... De onde ela vem?...

 

Posso garantir que todos os posts que tenho partilhado aqui no Habitat provêm de um lugar de Amor.

 

A forma como os recebem desse lado depende muito mais do que têm dentro de vocês do que das minhas palavras.

 

E até vos digo que os wake up calls que tenho feito aqui foram "estalos" que já dei a mim própria na vontade de crescer e aceitar todas as partes de mim: Luz e Sombra. 

 

Não são lições de moral para ninguém... São lembretes que talvez eu queira perpetuar para nunca me esquecer do que tenho aprendido ao longo dos anos.

 

E mesmo com toda a sede de auto desenvolvimento que tenho, continuo a ter a minha Sombra e terei sempre, porque nada na Terra vive sem esta dualidade... Dia/Noite; Masculino/Feminino; Positivo/Negativo; Quente/Frio... LUZ/SOMBRA!

 

Mas, tendo consciência disso, tento não me recriminar pela minha Sombra e tento deixá-la fluir, canalizando alguma parte dela para algo positivo.

 

E, lamento se o tema desta semana possa voltar a ser um pouco "incómodo", tendo em conta que fala das nossas sombras, do que passamos uma vida a tentar reprimir em nós e a "atirar" ao outro... mas este Habitat é um espaço livre de tabus e preconceitos...

 

Um mundo criado por uma Introvertida que não se limita às regras do "politicamente correto". 

 

Um mundo em que o akward está a salvo de julgamentos e onde nos permitimos ser quem somos, independentemente dos "Medos" do outro.

 

 

Imagem: Pinterest

 

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