Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

No Habitat de uma Introvertida

Aqui partilho com o mundo tudo o que me inspira e faz parte da minha vida criativa. E se és introvertido/a é provável que aqui te sintas em casa. "I have no special talents. I am only passionately curious." - Albert Einstein

No Habitat de uma Introvertida

Aqui partilho com o mundo tudo o que me inspira e faz parte da minha vida criativa. E se és introvertido/a é provável que aqui te sintas em casa. "I have no special talents. I am only passionately curious." - Albert Einstein

Seg | 11.06.18

Os estranhos dilemas de um/a introvertido/a

Sandra Sequeira

post.jpg

 

Depois de dois meses e quase meio de blog, eis que se instalou o primeiro bloqueio de inspiração! 

 

Acho que se deve ao facto de andar com demasiadas ocupações do dia a dia nas últimas semanas. 

 

Mas, entretanto, comecei a pensar nas coisas mais estranhas e estúpidas que eu às vezes faço e o resultado é o que vem aí já a seguir.

 

So, come with me through this akward secret gate!

 

A mente de um introvertido pode ser muito estranha em certas situações.

 

Claro que depende do teu grau de introversão... Comigo varia bastante.

 

Há fases em que estou em perfeita harmonia com as pessoas, outras em que me questiono se, de facto, pertenço a esta espécie!

 

Uma das situações em sinto a desconecção em toda a sua plenitude é, por exemplo, quando vou acompanhar alguém que me é próximo a um jantar, com um grande grupo de pessoas, com quem costumo estar poucas vezes.

 

Tudo a correr bem, depois daquela fase da chegada em que estás tentar percecionar o ambiente... sentas-te... dizem "umas graças"... a comida chega... a comida é boa... mais um brinde...

 

Entretanto, estás ali, com o copo na mão, virada para o lado esquerdo e, de repente, estão a falar de futebol. Tentas agarrar-te à ideía que gostavas do Benfica quando tinhas 13 anos, mas entretanto a coisa torna-se demasiado técnica e desistes.

 

Dissimuladamente, viraste para o lado direito estão a falar das novelas da TVI. Tomas mais um gole de vinho, já que não fazes idéia de quem é a Teresa que disse ao João que afinal não é pai do Matias que é filho do irmão dele mas ele também não sabe...

 

Olhas para a tua frente e estão a falar de motores de barcos a 4 tempos (cri, cri, cri, cri...).

 

I mean... where do we go from here?...

 

É neste ponto que começamos a falar connosco próprios na nossa cabeça e a imaginar que estamos numa praia da Polinésia Francesa, num bikini branco com folhinhos de renda, com um chapéu de palha de aba larga, a beber um cocktail com palhinha cor de rosa (enfeitado com uma sombrinha e uma rodela de limão), numa cama de rede, debaixo de um coqueiro.

 

Ou simplesmente começas a ficar interiormente aborrecido/a, por estar a desperdiçar tempo precioso que podias estar a utilizar a fazer tantas outras coisas mais interessantes em casa...

 

Esta é uma situação perfeitamente normal na vida de um introvertido e perfeitamente aceitável no âmbito do comportamento porque, basta estares a olhar para algum desses grupos, ninguém imagina onde raio tu andas.

 

Há uma outra situação que já não podemos dizer o mesmo...

 

Esta é um bocadinho grave. 

 

É porque a pessoa pensa que é ilusionista e acha que é capaz de fazer o truque da invisibilidade... só que não!

 

Há aqueles dias em que a introversão é mais do que simples introversão.

 

Há dias em que é um caso muito chato de ansiedade social (ressalvo que isto não acontece com todos os introvertidos). 

 

É normal termos ansiedade se vamos fazer algum discurso ou ir a uma entrevista de emprego... mas a ansiedade social pode manifestar-se nas situações mais comuns do dia a dia.

 

E eu tenho perfeita noção de que o meu comportamento nessas situações é perfeitamente irracional mas, no momento eu não as consigo evitar e depois sinto-me pessimamente pela minha atitude.

 

É, por exemplo, se estás numa loja de roupa a tentar escolher um presente para alguém e vês uma pessoa conhecida e pura e simplesmente finges que não a viste.

 

Desvias rapidamente o olhar e passas peça por peça, até chegar a outro corredor, já completamente desconcentrada do que precisas comprar, na vã esperança que a força do pensamento te torne invisível, ou te transforme numa turista alemã.

 

Fizeste-o porque te achas melhor que aquela pessoa?

 

Não.

 

Porque lhe deves dinheiro?

 

Não.

 

Porque ela é chata?

 

Não.

 

Pura e simplesmente não estás no dia de lidar com pessoas! 

 

A tua frequência vibracional está tão low que tu nem tens energia para sorrir e dizer um simples: "Olá, como está?"

 

Resultado: Passas por ser a pessoa mais snob e convencida que já conheceram.

 

Outra situação do género é ires a pé por uma rua e veres um grupo de pessoas que até talvez te conheçam ou não, mas imaginas que possam ter alguma pergunta para te fazer e tu, automaticamente, entras em modo backwards, para seguires por uma rua diferente, para não teres de passar por ali, mesmo que já seja tarde e te tenham visto.

 

OMG... What a freak!!!

 

Ou simplesmente vês-te obrigado/a a ir ao mercado comprar pão e nem olhas para ninguém porque só queres pegar no que precisas, pagar e esperar que ninguém te veja. É um desejo irracional de invisibilidade.

 

É que tu quase te convences de que és capaz de ser bem sucedido/a nesse truque, mas apenas passas por snob mesmo.

 

Ser introvertido/a não é ser anti-social...

 

Mas eu devo admitir, que às vezes, sou mesmo um bicho-do-mato!!!

 

 

Imagem: No Habitat de uma Introvertida

 

8 comentários

Comentar post